sexta-feira, 9 de julho de 2010

Carta Platônica (2)

   Fora um abraço, um único. Fora ‘aquele’ abraço. Fora envolvente, não fora forte, mas o suficiente. Duraram quem saiba, uns cinco segundos, mas em mim, o toque dos braços ficaram por mais de cinco horas... Ah, doce lembrança! Você abriu teus braços, eu sorri, eu abri os meus, então o aperto, o encontro dos corpos. Sabia que seria um pequeno, apenas um abraço, mas para mim fora intenso e para você, apenas mais um. Seu rosto ao lado do meu, seus cabelos perto dos meus. Eu queria minha face virar, eu queria melhor em tua pele tocar. Eu queria dar-lhe um beijo em teu rosto. Confesso, sim, eu tentei. Quase meus lábios as maçãs tocaram, mas não consegui. Você soltou-me daqueles que me envolviam. Você, eu, nós dois sorrimos. Frente um ao outro, nos despedimos. Você se foi. Novamente, tudo o que desejava eram mais alguns segundos de seu calor, mas você se foi... Como queria ,mais uma vez, ao menos mais uma única vez, abraçar-te e dessa vez mais forte, mais intenso. Dessa vez, que minhas mãos em suas costas,percorresse a sua nuca, acariciasse esse teu cabelo espesso, macio, tão negro. Afagos e afagos... Dessa vez, repousaria minha cabeça em seu pescoço, sobre teu colo. Você me envolveria de tal maneira, que não abandonaria até que me recuperasse, sentisse segura. Você seria a minha segurança, minha sina, manter-me-ia em um constante silêncio, onde as meras palavras não fariam impacto, pois o importante estaria no encontro, no entrelaçar de nossos braços. Seria isso, ou mesmo algo a mais, talvez fosse tudo, o meu pequeno mundo se tornaria menor ainda...Ah! Queria que não ficasse só em minha vontade, desejo. No entanto, em meu mundo terreno, sinto frio e insegurança, sinto carência daquele abraço que nunca dei e recebi.
  Voe até aqui, por favor, saibas que preciso muito de ti agora.

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