Preciso parar de colocar coisas pessoais por aqui. Mas realmente preciso desabafar. É.
O que você me faz não é saudade. Saudade é uma despedida, é um adeus, é um não poder mais junto estar. Saudade é desproposital, como aquela da infância, do impossível. É a distancia temporal e física que impede, mas mesmo assim, pede a sua volta. O que você me faz é falta. Eu não me despedi de você. Você esta tão perto, e ao mesmo tempo, tão longe de mim. Poderíamos estar juntas, mas não estamos. Mas que isso, a falta é uma ausência , uma parte sua que se vai sem seu consentimento. Sua ausência me chama nos momentos de solidão, então claramente lembro daquilo que junto a ti, pude viver. Com você eu estava viva, não apenas existindo nesse mundinho vazio.
Faz-me falta suas esquisitices, o seu desleixo como garota. E daí? Você não se importa com a opinião alheia. Você era incrível, enquanto todas falavam sobre malhação e colírios, você falava sobre o último documentário do Discovery Channel. Faltam as suas ironias, você falando das palhaçadas do seu irmão. Nunca soube que musicas você gosta, você sempre foi tão indefinida quanto a isso. Suas notas tão invejáveis, recordo que, mesmo após uma briga, você foi até minha casa ensinar química e os malditos s1, s2, p1,p2, p6....
Nossa amizade... Com tantos deslizes, como é de esperar de qualquer boa amizade. Afinal, são para os amigos de verdade que partilhamos as nossas incessantes tristezas e aquelas asneiras que nos separam. Os amigos de mentira, aqueles de improviso, só para ficar não na total, apenas em meia solidão, não se contam tantas da vida. Por isso as mantém firmes, mesmo sendo laços frágeis entre nossa conexão. Talvez quando a conexão seja forte de mais, debatemos em um impacto que nos repele, tornando a diáspora mais potente.
Aquele meio ano sem nos falarmos, fora fatal. E adivinha a culpada desse resultado? Culpo-me por minha omissão, nem lembro a respeito e sobre o que debatemos. Em minhas memórias tenho apenas os bons momentos. E tem um que nem é tão bom, mas é também. Lembra quando você ficou nervosa com minha tagarelice e gritou comigo? E fui aos prantos correndo ao banheiro, você ante mim, em frente ao espelho você me deu abraço, um dos únicos. Eu não esqueço a cena, nós duas chorando refletidas inteiras naquele retângulo do banheiro branco de mais.
Fora isso, nunca fomos convencionais, nada de abraços o tempo todo, nada de coraçõezinhos com a mão (bler!) e eu te amo não é necessário ser pronunciado, até por que somos sinceras, sabemos que amor não é coisa qualquer. Mas sabíamos que tínhamos uma à outra para contar, sem nada ser dito.
E por favor, me desculpe todas as vezes que fui negligente contigo, você nunca fora comigo. Eu sei que deixei você magoada muitas vezes, porque não perguntei um simples: “Você esta bem?“ Eu sei, nunca soube confortar,nem a você, nem a ninguém. É meu defeito ser fria por vezes. Você sabe, Posso parecer doce por fora, mas sou amarga por dentro. E são nas minhas amizades que a amargues transcende. Pode reparar, muitas vezes agradamos os que não nos prezam, e esquecemos de nos doar aos que prezam.
Nisso tudo, o que mais me dói, é você fazer tanta falta,e eu não lhe fazer a mínima. E de todas amizades que abandono, eu não deixo saudade, quanto mais a falta. Dentro de mim, sua ausência esta presente.
Sempre.