Caro príncipe estranho dos cabelos emaranhados,
Queria saber o que se passa, pois nunca estou contigo. Queria saber de que são feito os teus suspiros. Ainda que não desdenhe, estou sempre em ti a pensar, e de que são feito os seus desejos. Dos meus, eu sei, queria por demais conhecer você. Olhar-te perto, olhar o seu olhar, dar-lhe um abraço apertado, pedir-lhe um afago. Queria saber de que será feito seu encanto, aquele que tanto me encanta. Seriam teus cabelos, seria esse teu jeito, a sua peculiar visão sobre o mundo, seus dedos herdeiros de notas psicodélicas? Malmente o conheço, do pouco que sei, só sei que te quero. Às vezes me perco, fico a imaginar, como consegues do nada,assim sem querer, me conquistar. Por mais que meu silêncio tente omitir o quanto admiro, transpareço por elogios. Queria saber o porquê, de mesmo não estando por perto, faz a bomba pulsar, faz com eu queira sair do meu conforto, atrás de ti, lhe buscar. Queria saber por que fazes tanta falta, sendo que eu nunca o tive. Queria saber como posso l encontrar-te. Mas o que eu mais queria saber: porque não posso simplesmente lhe encontrar, muito menos o ter. Quem saibas não existas como imaginei. Voe agora.
sábado, 26 de junho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Linhas de um carretel
No final de uma rua sem saída, pelo subúrbio de uma cidade qualquer, havia uma modesta casa, talvez a mais encantadora de tal rua, com muro de pedras cor branco navajo, enverdecidas pelas trepadeiras e pelo chorão que emergindo de dentro da varanda, com suas folhas longínquas quase tocavam o passeio lá fora. As paredes eram creme e as janelas, todas em quadrado, eram de madeira maciça, madeira quase viva. Telhado alaranjado, impecável, sem sinal da umidade.
Tinha um bom tamanho, o suficiente para abrigar uma família de prole. Mas que nada! Quem vê a casa se engana. Por traz, ou melhor, por dentro desta morava apenas um velha rabugenta. Pelos menos essa era a visão que todos tinham da moradora.
E apesar do mau humor, todos procuravam por ela. Motivo? Ela tinha uma mão digna de costureiros de um rei. Sua especialidade era fazer vestidos de noivas, cada um mais requintado que o outro. Uns eram tomara-que-caia, outros de decote em “V”, certos tinham babados, alguns enormes caldas, eram lisos ou de camadas, de pedras e de rendas... A mulher inventava e reinventava modelos. Assim que podia, lá estava ela, junto dos fios, linhas e tecidos, sempre a costurar. Por fim, de lá seus clientes satisfeitos saiam, felizes, finalmente preparados para casar e realizar um sonho. Desse modo ela era vista: a costureira ranzinza, porém de cortes e costuras perfeitas.
Mas uma coisa ninguém via, uma coisa ninguém reparava; Ninguém sabia da dor das linhas e agulhas, das lágrimas derramadas sobre os tecidos. Cada roupa finalizada por ela, na certa era um suspiro. É a história dela: a mulher nunca fora amada no longo de seus quase 67 anos. Decepção, frustração. Parecia uma praga, algo traçado pelo destino. Seus amores sempre foram não-correspondidos.
Ela não sabia o que nela havia de errado; Desde a adolescência, uma moça quietinha, quieta até de mais. Mas era doce, era suave... Mas pobrezinha, tão opaca! Todos por ela passavam, era invisível. Os rapazes malmente notavam sua presença, e se notavam não se interessavam. E lá ficava ela, em um canto reprimida com suas meias Três quartos.
E quando a flecha do cupido acertava-lhe? Era o pior que podia lhe acontecer. Com a cabeça em outro lugar, no amado ela sempre pensava, mas já tinha em mente: na certa, não gostava dela. Para seu infortúnio, era o que sempre ocorria. Declarava-se, sua face ficava vermelha, e logo após a rejeição, eram seus olhos que ficavam durante mais de uma semana.
Quando adulta, sedenta de carência, tivera até um “casinho”. Mas que nada, não se ama no desespero, não se ama por amar. Não durou nada.
Frustrada, tornou-se o que é hoje, vista negativamente por todos, sem saber de suas razões. Fato é que todo vilão tem seus motivos de ser, não são por acaso.
Em mais um amanhecer, céu limpo, céu nítido. E lá estava ela, sentada em uma cadeira antiga no quintal, daquelas de pernas bambas e já desbotadas. Dessa vez, fazia apenas um simples crochê enquanto olhava seu gramado tão sem graça. Eis que o telefone da cozinha toca. Ela atende sem hesitar:
- Pois não? – Acostumada a não receber ligações de parentes ou algum raro amigo, ela já tinha em mente que era mais um de seus clientes.
- Veneza? É você? – Falou um homem ao telefone – Sou eu, Henrique! Há quanto tempo! – Falou em tom de nostalgia.
- Olá Henrique. Sim, muito tempo. – Ríspida.
- Ainda Fazendo suas peças? Pois preciso de uma. Você não vai acreditar! – De fato, Henrique estava exaltado ao telefone – Após anos de procura, no ápice da idade, eu me encontrei e encontrei uma pessoa maravilhosa, que o tempo todo estava ao meu lado. Lembra-te da Fran? Pois é ela! É ela! Nos casaremos e todos os ex-alunos da nossa antiga classe estão convidados, inclusive você.
- Olha, eu vivo dos meus vestido, não pense que não irei cobrá-los porque vocês um dia foram meus colegas de classe e estão me convidando para esse casório.- Falou seca.
- De modo algum... – Respondeu sem graça – Mas é claro que iremos pagar cada centavo.
Negociado os detalhes, Veneza tinha uma semana para fazer o vestido. Com todo material em mãos , iniciou o trabalho.
Em cada ponto botava sua alma, como se fosse seu próprio casamento. Para ela seu trabalho ( que para ela não era um trabalho) era seu viver. Na campainha dos pássaros sobre o fio elétrico e da solidão que rondava pela casa, ela costurava,costurava. Pronto. Menos de uma semana, um vestido perfeito que logo fora entregue...
Dia do casamento, Veneza não sabia se iria. Temia ver todos seus ex-colegas, casados e com seus frutos, felizes enquanto ela levava uma vida aborrecida. Andou para lá, andou para cá. Pensou, decidiu. Ela iria, não tinha nada a perder.
Longo, vestido tubinho azul cadete. Um delicado colar de falsas pérolas assim como o brinco em combinação. Cabelo um pouco armado , um certo charme da idade. E por fim uma sandália rasteira. Lá foi ela.
Timidamente, chegou à igreja, sentou-se nos fundos. A cerimônia fora simples, mas de muitas lágrimas satisfatórias, de união e esperança, que com tudo compensavam os bancos não muito enfeitados, com apenas alguns discretos vasinho de margaridas. Terminada a cerimônia, os convidados foram à festa.
Dissimulada, face fechada, no salão entrou ela. Observava a todos, malmente reconhecia os velhos rostos. Não se lembrara de ninguém, exceto daqueles que lhe trouxeram certo desgosto. Disso ela não se esquecia todas as vezes que olhava as cicatrizes em sua personalidade rígida. Perambulando pela pista quadriculada, preto e branco, ela tentava procurar por um sentido de estar aborrecida em uma festa, sendo que poderia estar na monotonia de sua casinha, porém sem a solidão em meio a tantas pessoas (essa sempre fora a pior das solidões).
Passos cá e acolá, eis que em um desviar de olhar, visa um alguém: óculos redondos, boina xadrez, desengonçado e magricelo. Com convicção, reparava em tal figura do sapatos engraxados até a ponta do nariz... Mas era ele! Não que tivesse sido alguém especial a ela, muito pelo contrario; Malmente jogavam uma conversa fora em tempos de colégio. Mas sem razão, lembrava seu nome: Jonhatan.
Costumava ser um típico rapaz estudioso, de poucos e sinceros amigos. Caseiro, ficava em casa lendo seu periódico e por vezes saia para a pracinha tomar uma fresca.
Veneza aproxima-se, assim como quem nada quer, puxa um assunto qualquer, e sem perceber, levaram uma boa prosa a respeito das antigas e da atual vida. Conversavam de tudo um pouco, trocavam miúdos.
A agitada música de discoteca para um instante, logo começa a tocar “And I Love her” dos Beatles. Feito dois adolescentes na flor da idade, ambos acanhados, Johnatan a convida para dançar. Veneza aceita com um tímido sorriso no rosto rosado.
Embalados pela música, o mundo dela começava a flutuar por tão pouco.Ha quanto tempo não apoiará seus frágeis braços sobre o ombro de um homem, a quanto tempo não tinha braços envoltos as suas costas. Enquanto a música tocasse nada mais importaria, ela estava em sua perfeita companhia a se soltar. Dançaram uma, duas, cinco ou até mais.
Final de festa, todos vão embora, cada um a seu rumo. Os dois juntos, passos curtos, até a esquina onde havia uma Primavera. Frente a frente, ela sorrindo de ponta a ponta do rosto, ele satisfeito por tudo.
-Então, agora eu tenho que ir- Johnatan diz.
-Espere!- apoiou uma mão sobre o próprio colo- Eu não perguntei aonde você mora agora. Quando nos veremos?
- Creio que não nos veremos mais. Moro Longe demais daqui. Com minha idade e problemas, preciso morar em uma cidade maior para tratar-me e ficar junto dos filhos que cuidam de mim. Eu sinto muito.
E aquela esperança, que dentro dela brotava havia murchado como um jasmim encharcado. Lentamente seu sorriso inclinava-se para baixo.Assim que ele percebeu a desfeita de sua expressão, tratou de estender o braço e apanhar uma flor amarela da árvore, da primavera. Ele deu-lhe a flor e um confortante longo beijo. Dentro dela novamente a esperança brotou e ele foi embora, antes que perdesse o trem. Ela ficou lá por cinco minutos, paralisada ,segurando a delicada flor. Fechou os olhos e ofegou.
Naquele dia, a costureira voltou para casa andando devagar no sereno aconchegante. Que aquela sensação de bem estar com alguém nunca acontecesse novamente, tudo bem. Ao menos agora ela sabia, alguém nela pensaria com carinho durante essa noite antes de dormir.
Tinha um bom tamanho, o suficiente para abrigar uma família de prole. Mas que nada! Quem vê a casa se engana. Por traz, ou melhor, por dentro desta morava apenas um velha rabugenta. Pelos menos essa era a visão que todos tinham da moradora.
E apesar do mau humor, todos procuravam por ela. Motivo? Ela tinha uma mão digna de costureiros de um rei. Sua especialidade era fazer vestidos de noivas, cada um mais requintado que o outro. Uns eram tomara-que-caia, outros de decote em “V”, certos tinham babados, alguns enormes caldas, eram lisos ou de camadas, de pedras e de rendas... A mulher inventava e reinventava modelos. Assim que podia, lá estava ela, junto dos fios, linhas e tecidos, sempre a costurar. Por fim, de lá seus clientes satisfeitos saiam, felizes, finalmente preparados para casar e realizar um sonho. Desse modo ela era vista: a costureira ranzinza, porém de cortes e costuras perfeitas.
Mas uma coisa ninguém via, uma coisa ninguém reparava; Ninguém sabia da dor das linhas e agulhas, das lágrimas derramadas sobre os tecidos. Cada roupa finalizada por ela, na certa era um suspiro. É a história dela: a mulher nunca fora amada no longo de seus quase 67 anos. Decepção, frustração. Parecia uma praga, algo traçado pelo destino. Seus amores sempre foram não-correspondidos.
Ela não sabia o que nela havia de errado; Desde a adolescência, uma moça quietinha, quieta até de mais. Mas era doce, era suave... Mas pobrezinha, tão opaca! Todos por ela passavam, era invisível. Os rapazes malmente notavam sua presença, e se notavam não se interessavam. E lá ficava ela, em um canto reprimida com suas meias Três quartos.
E quando a flecha do cupido acertava-lhe? Era o pior que podia lhe acontecer. Com a cabeça em outro lugar, no amado ela sempre pensava, mas já tinha em mente: na certa, não gostava dela. Para seu infortúnio, era o que sempre ocorria. Declarava-se, sua face ficava vermelha, e logo após a rejeição, eram seus olhos que ficavam durante mais de uma semana.
Quando adulta, sedenta de carência, tivera até um “casinho”. Mas que nada, não se ama no desespero, não se ama por amar. Não durou nada.
Frustrada, tornou-se o que é hoje, vista negativamente por todos, sem saber de suas razões. Fato é que todo vilão tem seus motivos de ser, não são por acaso.
Em mais um amanhecer, céu limpo, céu nítido. E lá estava ela, sentada em uma cadeira antiga no quintal, daquelas de pernas bambas e já desbotadas. Dessa vez, fazia apenas um simples crochê enquanto olhava seu gramado tão sem graça. Eis que o telefone da cozinha toca. Ela atende sem hesitar:
- Pois não? – Acostumada a não receber ligações de parentes ou algum raro amigo, ela já tinha em mente que era mais um de seus clientes.
- Veneza? É você? – Falou um homem ao telefone – Sou eu, Henrique! Há quanto tempo! – Falou em tom de nostalgia.
- Olá Henrique. Sim, muito tempo. – Ríspida.
- Ainda Fazendo suas peças? Pois preciso de uma. Você não vai acreditar! – De fato, Henrique estava exaltado ao telefone – Após anos de procura, no ápice da idade, eu me encontrei e encontrei uma pessoa maravilhosa, que o tempo todo estava ao meu lado. Lembra-te da Fran? Pois é ela! É ela! Nos casaremos e todos os ex-alunos da nossa antiga classe estão convidados, inclusive você.
- Olha, eu vivo dos meus vestido, não pense que não irei cobrá-los porque vocês um dia foram meus colegas de classe e estão me convidando para esse casório.- Falou seca.
- De modo algum... – Respondeu sem graça – Mas é claro que iremos pagar cada centavo.
Negociado os detalhes, Veneza tinha uma semana para fazer o vestido. Com todo material em mãos , iniciou o trabalho.
Em cada ponto botava sua alma, como se fosse seu próprio casamento. Para ela seu trabalho ( que para ela não era um trabalho) era seu viver. Na campainha dos pássaros sobre o fio elétrico e da solidão que rondava pela casa, ela costurava,costurava. Pronto. Menos de uma semana, um vestido perfeito que logo fora entregue...
Dia do casamento, Veneza não sabia se iria. Temia ver todos seus ex-colegas, casados e com seus frutos, felizes enquanto ela levava uma vida aborrecida. Andou para lá, andou para cá. Pensou, decidiu. Ela iria, não tinha nada a perder.
Longo, vestido tubinho azul cadete. Um delicado colar de falsas pérolas assim como o brinco em combinação. Cabelo um pouco armado , um certo charme da idade. E por fim uma sandália rasteira. Lá foi ela.
Timidamente, chegou à igreja, sentou-se nos fundos. A cerimônia fora simples, mas de muitas lágrimas satisfatórias, de união e esperança, que com tudo compensavam os bancos não muito enfeitados, com apenas alguns discretos vasinho de margaridas. Terminada a cerimônia, os convidados foram à festa.
Dissimulada, face fechada, no salão entrou ela. Observava a todos, malmente reconhecia os velhos rostos. Não se lembrara de ninguém, exceto daqueles que lhe trouxeram certo desgosto. Disso ela não se esquecia todas as vezes que olhava as cicatrizes em sua personalidade rígida. Perambulando pela pista quadriculada, preto e branco, ela tentava procurar por um sentido de estar aborrecida em uma festa, sendo que poderia estar na monotonia de sua casinha, porém sem a solidão em meio a tantas pessoas (essa sempre fora a pior das solidões).
Passos cá e acolá, eis que em um desviar de olhar, visa um alguém: óculos redondos, boina xadrez, desengonçado e magricelo. Com convicção, reparava em tal figura do sapatos engraxados até a ponta do nariz... Mas era ele! Não que tivesse sido alguém especial a ela, muito pelo contrario; Malmente jogavam uma conversa fora em tempos de colégio. Mas sem razão, lembrava seu nome: Jonhatan.
Costumava ser um típico rapaz estudioso, de poucos e sinceros amigos. Caseiro, ficava em casa lendo seu periódico e por vezes saia para a pracinha tomar uma fresca.
Veneza aproxima-se, assim como quem nada quer, puxa um assunto qualquer, e sem perceber, levaram uma boa prosa a respeito das antigas e da atual vida. Conversavam de tudo um pouco, trocavam miúdos.
A agitada música de discoteca para um instante, logo começa a tocar “And I Love her” dos Beatles. Feito dois adolescentes na flor da idade, ambos acanhados, Johnatan a convida para dançar. Veneza aceita com um tímido sorriso no rosto rosado.
Embalados pela música, o mundo dela começava a flutuar por tão pouco.Ha quanto tempo não apoiará seus frágeis braços sobre o ombro de um homem, a quanto tempo não tinha braços envoltos as suas costas. Enquanto a música tocasse nada mais importaria, ela estava em sua perfeita companhia a se soltar. Dançaram uma, duas, cinco ou até mais.
Final de festa, todos vão embora, cada um a seu rumo. Os dois juntos, passos curtos, até a esquina onde havia uma Primavera. Frente a frente, ela sorrindo de ponta a ponta do rosto, ele satisfeito por tudo.
-Então, agora eu tenho que ir- Johnatan diz.
-Espere!- apoiou uma mão sobre o próprio colo- Eu não perguntei aonde você mora agora. Quando nos veremos?
- Creio que não nos veremos mais. Moro Longe demais daqui. Com minha idade e problemas, preciso morar em uma cidade maior para tratar-me e ficar junto dos filhos que cuidam de mim. Eu sinto muito.
E aquela esperança, que dentro dela brotava havia murchado como um jasmim encharcado. Lentamente seu sorriso inclinava-se para baixo.Assim que ele percebeu a desfeita de sua expressão, tratou de estender o braço e apanhar uma flor amarela da árvore, da primavera. Ele deu-lhe a flor e um confortante longo beijo. Dentro dela novamente a esperança brotou e ele foi embora, antes que perdesse o trem. Ela ficou lá por cinco minutos, paralisada ,segurando a delicada flor. Fechou os olhos e ofegou.
Naquele dia, a costureira voltou para casa andando devagar no sereno aconchegante. Que aquela sensação de bem estar com alguém nunca acontecesse novamente, tudo bem. Ao menos agora ela sabia, alguém nela pensaria com carinho durante essa noite antes de dormir.
terça-feira, 22 de junho de 2010
O Toca discos
Janela do nono andar. Visava afora uma pequena parte da imensa cidade, uma parte caótica, donde podia se ver o trânsito, a fumaça, todo cinza e todo grená . Podia se escutar sirenes, buzinas alarmantes, pareciam pedir para que logo pulasse.Ela estava de pé, em cima da cama desarrumada, de edredom emaranhado, com o travesseiro jogado no chão, junto das fotos encharcadas pela tristeza derramada de seus olhos. Inconsolável, não queria acreditar. Urrava a dor, o pedaço de seu todo. Como poderia aquilo ter acontecido?
Por coragem ou covardia, parecia disposta a se atirar, como nobre anjo sem asas, chocar-se ao chão frio.Fragilizada, mesmo vendo pontinhos, pessoinhas logo a baixo, sentia-se isolada. Seu pai, logo a sala ao lado. Mas dele ela não queria arrego. Preferia ficar assim mesmo, sozinha a sofrer.
Ela sentou à janela, com uma perna para dentro e outra para fora. Além da altura, na escuridão ninguém a enxergava além da lua e estrelas ofuscadas pelas luzes tão artificiais da capital.
Olhava para baixo, pensava alto por vezes, mas não o suficiente para que escutassem seu apelo. Agora o vento gélido passava por seu rosto quente, de olhos cansados de tanto lacrimejar. Inspira, respira, suspira.
Ainda incerta de seus atos, relembrava o arrego, o carinho, o conforto da pessoa por quem tanto chorava. Relembrava das tardes de sol, as manhãs nubladas, das viagens para o campo, dos passeios pela cidade, das lembranças compartidas. Lembrava também, quantas foram às brigas, os sermões e ainda alguns tapas. Mas que nada, isso nem tinha importância, irrelevantes eram perto do amor que essa mesma pessoa oferecia.
Agora soluçava. Agora colocava as duas pernas ao léu, mas por motivo incerto, segurava com força a borda da janela, vagarosamente, sentava cada vez mas perto do final da janela e quem sabe, seu fim.
Badalava agora demais o coração, se não perdesse sua vida no áspero solo, quem sabe a perdesse via ataque cardíaco.
Trêmula estava, mil coisas agora se passavam por sua cabeça. Eram gritantes, eram lembranças. Tudo se misturava, tudo que vivera semana passada com que vivera a um, quatro, ou até 10 anos atrás. Cabeça em distúrbio, mente sedenta em um único alvo. Ela grita.
Mas não era um grito qualquer, era um daqueles que desperta até quem assim como ela, nada mais queria. Ela soltou sua alma com seu grito mas não se soltou da janela. Em um estalar de dedos, como se saísse de um pesadelo nebuloso, ela acorda.
De repente nada mais escutava, vácuo, um vazio. Nem carros, motos, helicópteros, gente. Nada mais fazia barulho. Eis que da sala, quebra o silêncio o antigo toca discos. “Wish you were here” essa era a música. Ah! Aqueles calmos e serenos acordes iniciais, a melodia! Era a única coisa que chegavam aos ouvidos da garota. Novamente ela Inspira, respira e suspira. O coração acalma. Ela se joga. Mas se joga de costas, cambaleando, cai na macia e aconchegante cama. Suicídio não era mais opção. Ela pisando sem querer nas fotos, vai até a sala em passos arrastados.
Visando seu pai que olhava solene o toca discos, dá lhe um forte abraço, e chorando ao seu ombro diz:
-Pena que se Foi, Essa era música preferida da mamãe.
Por coragem ou covardia, parecia disposta a se atirar, como nobre anjo sem asas, chocar-se ao chão frio.Fragilizada, mesmo vendo pontinhos, pessoinhas logo a baixo, sentia-se isolada. Seu pai, logo a sala ao lado. Mas dele ela não queria arrego. Preferia ficar assim mesmo, sozinha a sofrer.
Ela sentou à janela, com uma perna para dentro e outra para fora. Além da altura, na escuridão ninguém a enxergava além da lua e estrelas ofuscadas pelas luzes tão artificiais da capital.
Olhava para baixo, pensava alto por vezes, mas não o suficiente para que escutassem seu apelo. Agora o vento gélido passava por seu rosto quente, de olhos cansados de tanto lacrimejar. Inspira, respira, suspira.
Ainda incerta de seus atos, relembrava o arrego, o carinho, o conforto da pessoa por quem tanto chorava. Relembrava das tardes de sol, as manhãs nubladas, das viagens para o campo, dos passeios pela cidade, das lembranças compartidas. Lembrava também, quantas foram às brigas, os sermões e ainda alguns tapas. Mas que nada, isso nem tinha importância, irrelevantes eram perto do amor que essa mesma pessoa oferecia.
Agora soluçava. Agora colocava as duas pernas ao léu, mas por motivo incerto, segurava com força a borda da janela, vagarosamente, sentava cada vez mas perto do final da janela e quem sabe, seu fim.
Badalava agora demais o coração, se não perdesse sua vida no áspero solo, quem sabe a perdesse via ataque cardíaco.
Trêmula estava, mil coisas agora se passavam por sua cabeça. Eram gritantes, eram lembranças. Tudo se misturava, tudo que vivera semana passada com que vivera a um, quatro, ou até 10 anos atrás. Cabeça em distúrbio, mente sedenta em um único alvo. Ela grita.
Mas não era um grito qualquer, era um daqueles que desperta até quem assim como ela, nada mais queria. Ela soltou sua alma com seu grito mas não se soltou da janela. Em um estalar de dedos, como se saísse de um pesadelo nebuloso, ela acorda.
De repente nada mais escutava, vácuo, um vazio. Nem carros, motos, helicópteros, gente. Nada mais fazia barulho. Eis que da sala, quebra o silêncio o antigo toca discos. “Wish you were here” essa era a música. Ah! Aqueles calmos e serenos acordes iniciais, a melodia! Era a única coisa que chegavam aos ouvidos da garota. Novamente ela Inspira, respira e suspira. O coração acalma. Ela se joga. Mas se joga de costas, cambaleando, cai na macia e aconchegante cama. Suicídio não era mais opção. Ela pisando sem querer nas fotos, vai até a sala em passos arrastados.
Visando seu pai que olhava solene o toca discos, dá lhe um forte abraço, e chorando ao seu ombro diz:
-Pena que se Foi, Essa era música preferida da mamãe.
domingo, 20 de junho de 2010
As Rosas da Construção
Ela não tinha pressa. Segunda feira, Vagarosamente pela calçada rachada e disforme, observava suas sapatilhas surradas trocando os não tão longos passos. Era o caminho de volta para casa após um cansativo dia de aula do ensino público, sendo sempre a mesma rota, as mesmas casas, as mesmas árvores, o mercado de verduras, a arara de roupas rente ao humilde brechó... Oh, monotonia de cidade pequena!E sempre fora assim.
Há dois quarteirões, lá estava ela, quase em casa. Mas eis que a pequena Mariel, ao passar pela velha e jamais finalizada construção, se depara com algo fincado na areia desta: Era uma rosa, uma singela rosa, pura, em meio aos vergões, tijolos rudes, paredes de cores opacas, cinzentas sobre solo cru. A princípio Mariel apenas observa, instigada do porque daquela rosa estar ali. Resolveu apanhá-la apesar de possuir um canteiro de rosas em casa.
Ela retomou o caminho de casa e em menos de 5 minutos chegara. A mesma era humilde, de cômodos pequenos, portãozinho azul de madeira, com um quintal de muito verde, paredes beges claro, janelas de lata da cor do portãozinho e telhado comum.
Mariel fora direto para seu estreito quarto com sua tão vermelha flor na mão. Sentou-se em sua cama de lençol amarelo opaco. Olhou a rosa, apalpou as pétalas e as folhas.
Começou a indagar: “se tenho tantas rosas em meu jardim, porque trouxe esta para minha casa?” De qualquer forma, colocou-a em pé, em um vaso de vidro com água. Bom, todos sabiam que a rosa não viveria muito, mas no entanto alegraria o quarto enquanto suas pétalas estivessem macias e suas folhas verdes. Mariel deixou o vaso sobre o criado mudo de duas gavetas e fora fazer as tarefas domésticas junto de sua mãe.
Vida simples, vida pacata, assim era o dia-dia da pequenina. Música no radio a pilha, receber parentes, jogar bola com os primos, empinar pipa, infância anos 80. Tinha muita liberdade, mas claro, até as seis da tarde, depois disso, nada de sereno.
Aquele dia havia sido como um outro qualquer. Chega a noite e ela vai dormir. Antes de apagar a luz do quarto e deixar a luz do abajur acesa (sim, Mariel temia o tão incerto escuro) ela olha para rosa intacta. Sente o doce odor desta, acaricia a rosa como se fosse um animalzinho, uma chinchila talvez. Então, já com a fraca luz acesa, apaga a mais forte, a do quarto. Repousa sobre colchão, dorme na mais inocente paz de uma criança, sob o cobertor de crochê que sua avó fizera há dois anos.
Manhã seguinte, a menina vai a escola, tudo como de costume, a mesma rotina, sem altos, sem baixos, de diferente, só mesmo aquela fantasia de gente pequena.Bate o sinal, para casa sozinha, Mariel faz o caminho de costume...
Novamente a construção, novamente uma rosa fincada na areia. A pequenina observa a rosa, tão parecida como a que acolhera ontem. Resolveu levá-la para casa. Definitivamente, aquele lugar inóspito, cinzento e sem graça não era lugar para tal formosura.
Chegando em casa, ela coloca a rosa junto a outra, no mesmo vaso de vidro. Agora eram duas alegrias naquele quarto espremido. Novamente, o resto de um dia comum e de uma noite normal.
E assim fora o resto da semana, no voltar da escola sempre uma outra rosa, no total do vaso agora eram 7 alegrias. Até nos finais de semana ela resolveu passar por lá, só para ver se tinha uma flor fincada em meio à aridez. Mariel só não entendera duas coisa: porque seu instinto de criança a fazia acolher tais flores que resolveram do nada aparecer, e porque absolutamente nenhuma rosa havia murchado. Todas estavam macias, todas estavam vermelho tinto vivo, e sobre tudo, com o mais doce e suave perfume.
Segunda-feira, uma semana após a primeira rosa. Na volta da escola, ela passa em frente a construção... Dessa vez, nada havia lá. Mariel de certo modo, decepcionou-se, afinal, resgatar rosas havia se tornado parte da rotina. Tudo bem, ela voltou para casa só na campainha das surradas sapatilhas.
Chegando,corre para o quarto e olha para o vaso. Todas perfeitinhas. Durante um tempo ela, em meio ao silêncio do quarto, conversava com as rosas. Coisa de gente pequena. Ela acreditava que as rosas respondiam. Mas não ficou o dia inteiro por lá, sua vida continuava por igual.
Dia seguinte na volta, ela não encontra rosa alguma. “haveriam as rosas desaparecido? Ou será que nunca mais aparecerão?“ Mais uma vez decepcionada, volta para casa. Mas as suas estavam lá, no vaso de vidro com água. Impressionante, nenhuma fragilizada, sempre vivas.
Mariel então levou uma “séria” conversa com as rosas; Ela perguntou por eram tão fortes, porque estavam na construção, porque não encontrava suas supostas irmãs...Com tanta assiduidade que perguntava e acreditava nas rosas, ouvira elas respondendo. As rosas agradeciam ao seu acolhimento , estavam muito gratas por não terem sido simplesmente abandonadas, por alguém não ter desistido delas e por tão bem terem sido cuidadas. E agora que estavam todas juntas, as sete pediram para que no dia seguinte fossem levadas de volta a construção. A menina não compreendeu porque queriam voltar a frieza e vazio de tal lugar, mas fez a vontade destas.
Dia seguinte, nascer do sol. Na ida para escola pelo caminho costumeiro, deixou as sete rosas no chão terroso e morto da velha construção. Ah! Que dor sentira em seu coraçãozinho Mariel! Mas se essa era a vontade das rosas, que assim fosse. Retomou o caminho para escola, sempre olhando para trás, pensando nas “alegrias” de seu quarto.
O tempo todo, em cada uma das aulas, a menina não parava de se preocupar com as rosas. Não via a hora do sinal bater.
Finalmente! Saiu da escola, rapidamente, sem prestar atenção nas sapatilhas ou passos, foi até a construção. Ah, por essa não esperava. As rosas não estavam mais por lá. Chorando se foi, Mariel vagando até sua casa.
Chegando ao quarto, na cama se jogou. Ela chorou, chorou por demais. Onde estão as alegrias? O vasinho do criado mudo? O resto do dia ela não quis saber; Nada de tarefas ou de jogar bola, não tinha humor para isso.
Dia seguinte, um amanhecer triste, até o céu azul resolveu se esconder nas cinzas das nuvens. Mariel não passou pelo caminho da construção dessa vez. Ela deu a volta.
Na escola, ela ficou pelos cantos, pensando que fim levaram todas as flores. Bate o sinal e ela então, decide passar pela rua da construção.
Ela não tinha muita esperança, achou que veria apenas aquela coisa velha caindo aos pedaços. Enganou-se, para sua felicidade, enganou-se demais. A coisa velha agora, rodeada por carpinteiros, estava como num toque de varinha de fadas, quase acabado, faltando apenas uma parede a ser pintada pela tinta tão branca que reluzia com a luz do sol, o qual dentre as nuvens surgia. A construção agora era uma linda casinha, de janelas de madeira, com jardim cheio de roseiras, com um quintal verde vivo.
Os olhinhos de Mariel cintilavam, era inacreditável. Aquela construção que não fora terminada a mais cinco anos agora estava lá; Intacta como as rosas no vaso. A menina não tinha dúvidas, aquilo fora obra das suas flores!
Voltando para casa, feliz a saltitar, espanta-se. O caminhão de mudança estava a sua porta. Homens saiam de sua casa levando os móveis para dentro do caminhão. De fato, sua humilde e pequena casa tinha muitas infiltrações. A mudança era inevitável e previsível.
Mariel entrou no veiculo junto de sua não tão pequena família, os pais e dois irmãos.
Para a surpresa da garota, sua nova casa era justamente aquela que você esta pensando. Sim, ela se mudou para nova casa, feita por quem sabe, pelas rosas. Agora as rosas acolhidas pela pequena, acolhiam Mariel e sua família.
Há dois quarteirões, lá estava ela, quase em casa. Mas eis que a pequena Mariel, ao passar pela velha e jamais finalizada construção, se depara com algo fincado na areia desta: Era uma rosa, uma singela rosa, pura, em meio aos vergões, tijolos rudes, paredes de cores opacas, cinzentas sobre solo cru. A princípio Mariel apenas observa, instigada do porque daquela rosa estar ali. Resolveu apanhá-la apesar de possuir um canteiro de rosas em casa.
Ela retomou o caminho de casa e em menos de 5 minutos chegara. A mesma era humilde, de cômodos pequenos, portãozinho azul de madeira, com um quintal de muito verde, paredes beges claro, janelas de lata da cor do portãozinho e telhado comum.
Mariel fora direto para seu estreito quarto com sua tão vermelha flor na mão. Sentou-se em sua cama de lençol amarelo opaco. Olhou a rosa, apalpou as pétalas e as folhas.
Começou a indagar: “se tenho tantas rosas em meu jardim, porque trouxe esta para minha casa?” De qualquer forma, colocou-a em pé, em um vaso de vidro com água. Bom, todos sabiam que a rosa não viveria muito, mas no entanto alegraria o quarto enquanto suas pétalas estivessem macias e suas folhas verdes. Mariel deixou o vaso sobre o criado mudo de duas gavetas e fora fazer as tarefas domésticas junto de sua mãe.
Vida simples, vida pacata, assim era o dia-dia da pequenina. Música no radio a pilha, receber parentes, jogar bola com os primos, empinar pipa, infância anos 80. Tinha muita liberdade, mas claro, até as seis da tarde, depois disso, nada de sereno.
Aquele dia havia sido como um outro qualquer. Chega a noite e ela vai dormir. Antes de apagar a luz do quarto e deixar a luz do abajur acesa (sim, Mariel temia o tão incerto escuro) ela olha para rosa intacta. Sente o doce odor desta, acaricia a rosa como se fosse um animalzinho, uma chinchila talvez. Então, já com a fraca luz acesa, apaga a mais forte, a do quarto. Repousa sobre colchão, dorme na mais inocente paz de uma criança, sob o cobertor de crochê que sua avó fizera há dois anos.
Manhã seguinte, a menina vai a escola, tudo como de costume, a mesma rotina, sem altos, sem baixos, de diferente, só mesmo aquela fantasia de gente pequena.Bate o sinal, para casa sozinha, Mariel faz o caminho de costume...
Novamente a construção, novamente uma rosa fincada na areia. A pequenina observa a rosa, tão parecida como a que acolhera ontem. Resolveu levá-la para casa. Definitivamente, aquele lugar inóspito, cinzento e sem graça não era lugar para tal formosura.
Chegando em casa, ela coloca a rosa junto a outra, no mesmo vaso de vidro. Agora eram duas alegrias naquele quarto espremido. Novamente, o resto de um dia comum e de uma noite normal.
E assim fora o resto da semana, no voltar da escola sempre uma outra rosa, no total do vaso agora eram 7 alegrias. Até nos finais de semana ela resolveu passar por lá, só para ver se tinha uma flor fincada em meio à aridez. Mariel só não entendera duas coisa: porque seu instinto de criança a fazia acolher tais flores que resolveram do nada aparecer, e porque absolutamente nenhuma rosa havia murchado. Todas estavam macias, todas estavam vermelho tinto vivo, e sobre tudo, com o mais doce e suave perfume.
Segunda-feira, uma semana após a primeira rosa. Na volta da escola, ela passa em frente a construção... Dessa vez, nada havia lá. Mariel de certo modo, decepcionou-se, afinal, resgatar rosas havia se tornado parte da rotina. Tudo bem, ela voltou para casa só na campainha das surradas sapatilhas.
Chegando,corre para o quarto e olha para o vaso. Todas perfeitinhas. Durante um tempo ela, em meio ao silêncio do quarto, conversava com as rosas. Coisa de gente pequena. Ela acreditava que as rosas respondiam. Mas não ficou o dia inteiro por lá, sua vida continuava por igual.
Dia seguinte na volta, ela não encontra rosa alguma. “haveriam as rosas desaparecido? Ou será que nunca mais aparecerão?“ Mais uma vez decepcionada, volta para casa. Mas as suas estavam lá, no vaso de vidro com água. Impressionante, nenhuma fragilizada, sempre vivas.
Mariel então levou uma “séria” conversa com as rosas; Ela perguntou por eram tão fortes, porque estavam na construção, porque não encontrava suas supostas irmãs...Com tanta assiduidade que perguntava e acreditava nas rosas, ouvira elas respondendo. As rosas agradeciam ao seu acolhimento , estavam muito gratas por não terem sido simplesmente abandonadas, por alguém não ter desistido delas e por tão bem terem sido cuidadas. E agora que estavam todas juntas, as sete pediram para que no dia seguinte fossem levadas de volta a construção. A menina não compreendeu porque queriam voltar a frieza e vazio de tal lugar, mas fez a vontade destas.
Dia seguinte, nascer do sol. Na ida para escola pelo caminho costumeiro, deixou as sete rosas no chão terroso e morto da velha construção. Ah! Que dor sentira em seu coraçãozinho Mariel! Mas se essa era a vontade das rosas, que assim fosse. Retomou o caminho para escola, sempre olhando para trás, pensando nas “alegrias” de seu quarto.
O tempo todo, em cada uma das aulas, a menina não parava de se preocupar com as rosas. Não via a hora do sinal bater.
Finalmente! Saiu da escola, rapidamente, sem prestar atenção nas sapatilhas ou passos, foi até a construção. Ah, por essa não esperava. As rosas não estavam mais por lá. Chorando se foi, Mariel vagando até sua casa.
Chegando ao quarto, na cama se jogou. Ela chorou, chorou por demais. Onde estão as alegrias? O vasinho do criado mudo? O resto do dia ela não quis saber; Nada de tarefas ou de jogar bola, não tinha humor para isso.
Dia seguinte, um amanhecer triste, até o céu azul resolveu se esconder nas cinzas das nuvens. Mariel não passou pelo caminho da construção dessa vez. Ela deu a volta.
Na escola, ela ficou pelos cantos, pensando que fim levaram todas as flores. Bate o sinal e ela então, decide passar pela rua da construção.
Ela não tinha muita esperança, achou que veria apenas aquela coisa velha caindo aos pedaços. Enganou-se, para sua felicidade, enganou-se demais. A coisa velha agora, rodeada por carpinteiros, estava como num toque de varinha de fadas, quase acabado, faltando apenas uma parede a ser pintada pela tinta tão branca que reluzia com a luz do sol, o qual dentre as nuvens surgia. A construção agora era uma linda casinha, de janelas de madeira, com jardim cheio de roseiras, com um quintal verde vivo.
Os olhinhos de Mariel cintilavam, era inacreditável. Aquela construção que não fora terminada a mais cinco anos agora estava lá; Intacta como as rosas no vaso. A menina não tinha dúvidas, aquilo fora obra das suas flores!
Voltando para casa, feliz a saltitar, espanta-se. O caminhão de mudança estava a sua porta. Homens saiam de sua casa levando os móveis para dentro do caminhão. De fato, sua humilde e pequena casa tinha muitas infiltrações. A mudança era inevitável e previsível.
Mariel entrou no veiculo junto de sua não tão pequena família, os pais e dois irmãos.
Para a surpresa da garota, sua nova casa era justamente aquela que você esta pensando. Sim, ela se mudou para nova casa, feita por quem sabe, pelas rosas. Agora as rosas acolhidas pela pequena, acolhiam Mariel e sua família.
E por que não?
Todos sabem, a vida não é perfeita e isso não é novidade. Então, porque não inventar uma nova? Acredite, uma das melhores maneiras de reinventar é escrevendo. Quando se escreve, você não deixa que suas viagens se percam por ai, dentro da sua cabeça. Imagine só, quantas aventuras você deixou se perder ao léu!
Observações a parte, aqui exponho todas as personagens e lugares que conheci. Bom proveito!
Observações a parte, aqui exponho todas as personagens e lugares que conheci. Bom proveito!
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