quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Lembre-se

 Que a medida das coisas não são os outros, é você que precisa contentar-se com a sua própria unidade de medida. E daí que seu palmo é menor? Seu polegar não vale o mesmo tanto do que o do outro? São seus, e pouco importa o resto do mundo. E daí que você não cresceu mais que seus amigos de infância e agora sente-se um baixote? E danem-se se você é alto demais e sente-se um desengonçado! Fique feliz pelo seu tamanho em altura, e cresça sempre como pessoa.
   Não se incomode com o talento dos outros, você tem os seus também; e Porque não validar os outros ? Elogiar é o ato mais humilde que se faz. E Lembre-se que o talento do outro não diminui o seu. Você só se torna menor quando desiste do seu potencial por causa da capacidade dos outros. Se esse é seu caso meu velho, considere-se uma feto que não há de se desenvolver. Mas quando você levantar a cabeça e compreender o que digo, vai voltar a crescer e desenvolver-se.
  E daí que você vê pessoas perambulando por ai cheio de amigos, e você , sente-se pateta trancado em casa,sozinho sem fazer nada ... Não! Você não é pateta só porque não tem tantos amigos a sua volta. Você não tem números como os outros, mas aposto como tem ao menos um amigo: seja um único do peito, seja o virtual que mesmo tão distante esta próximo de você, seja um amigo de sangue, o chamado irmão, seja seu cachorro, seja quem for, até um imaginário vale. Seus poucos amigos não perdem o valor só porque as outras pessoa se cercam de gente, gente que às vezes nem são tão amigos delas. Seus amigos, pode ter certeza, são os melhores por mais que as vezes pareçam não combinar com você. Alías, eles não tem nada ver com você ou você com eles. Por isso são os melhores, acredite.
  E Dane-se o mundo, a cor da blusa do outro, o dinheiro na carteira, se ele casou-se com fulana, se o outro mora na mansão, se seu colega consegui uma promoção e você não. Danem-se as quantidades, qualidades, adjetivos dos outros. Esqueça as medidas dos outros, lembre-se que você tem a sua própria, você tem seu tamanho em alma. E medir tamanho de almas é tolice. A alma que você veste tem seu numero perfeito; Não se esqueça de ser feliz por você mesmo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um trecho (2)

"(..)-Não sei, na minha vida esse tipo de coisa não é muito comum. – sentei com uma das pernas dobradas para dentro da cama.- É que eu esqueço as vezes que não sou exatamente normal. Enquanto as pessoas se espantam com que eu digo, eu me espanto com a normalidade delas.
  - Ninguém é normal. – Disse Daniel
  -Relativo, e eu não acredito nisso. Alías acho todo mundo tão normal a ponto de serem monótonos. E até se dizer diferente já é normal, e nunca ouvi alguém dizendo-se igual.
  - Mas encare os fatos Janifer, as pessoas, todas são diferentes! – Argumentou novamente Daniel
  - Não parece. Sabe o que as coisas me parecem? Que um pintor resolveu fazer vários quadros. Ele pintou varias rosas, ele tentou fazê-las iguais. Mas nenhum quadro fica totalmente igual, mas mesmo assim, todos são vermelhos, todos são rosas. E justamente quando ele foi me pintar, ele resolveu pintar uma...- pensei em algo desanexado a rosas- Uma bota! "

Não sou "tipo assim" - Página 48.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um Trecho.

As vezes minha imaginação pede mais que uma folha, pede mais que algumas linhas. As vezes ela pede que eu escreva textos extensos, sonho de um livro talvez. Pois é o que eu tenho feito ultimamente. Vou postar de vez enquando, trechos de uma historia que se fez em minha telha quando tinha por volta dos treze anos, e que agora aos dezesseis, a crio em palavras.

"-É que julgo as pessoas rápido de mais. Eu acho que todo mundo esta torto, e depois acho que quem esta torta sou eu. Mas acabei de crer, as vezes tentar achar o bom nas pessoas é uma perda de tempo. Posso até estar errada mas é isso que eu acho."
Não sou "tipo assim"- página 31

domingo, 7 de novembro de 2010

A vida vista sobre rosas

Ela se sentou sob a parreira, arrancou do chão uma margarida. E começou a fazer a antiga mandinga do bem e mal me quer. Mas o que instiga é que ela fazia isso com o coração vazio. Não pensava em um alguém, apenas fazia por fazer, arrancava por arrancar as pétalas brancas. Sob a parreira,o chão onde a mulher sentava-se era branco, era um vestido de noiva em margaridas que tapavam o marrom e verde da terra.
 Terminando a primeira margarida, dera um mal-me-quer. Foi tentar outra flor. De novo , o mesmo resultado. E seguiram-se mais e mais margaridas arrancadas, tiradas a finco, debulhadas a rancor, até a mulher perceber que não havia mais flor para continuar. Levantou-se e abandonou o chão que antes vestido de noiva, agora mais parecia um cemitério de margaridas.
  Pelo gramado ela um pouco passeou, até encontrar um jardim de petúnias roxas. Sobre este ela ajoelhou-se e uma flor arrancou para inspirar de doce cheiro. A principio inala-se aquele odor tão bom de não sei o que, talvez de mel, talvez de chá, talvez de manhã, talvez de dia-pós-dia. Mas logo a petúnia perdeu o cheiro e ela arranca outra. E como era de se esperar, mais outra até o jardim roxo terminar como o jardim de margarida. E aqui jaz mais um jardim.
  Ela continuou a andar sob o sol inócuo, até se deparar com os dentes de leão. Ela assoprou cada um, e se foram as plumas ao vento como alegrias de dias passados. Sobraram apenas os caules ao chão. Na vez, dos girassóis, tombou um por um, e como se cada miolo fosse um rosto ela pisoteou. Na vez dos Jasmins ela arrancou cada chumaço como quem arranca a própria dor.
  Destrutiva sem motivos, ela só queria acabar com os jardins. Não se sabe o que a moça guardava para sobre as inocentes pétalas atacar, sabia-se apenas que ela não esta plena de seus sentidos. Talvez tivesse raiva, ou tivesse amargurada. Ou talvez só não gostasse de flores. Mas que ser humano não gosta de flores?
  Ela olhou para trás, viu o que fizera. E quando sentiu-se plena, parou de sem motivos estragar a paisagem por onde seus pés tocavam.Ela procurou o motivo de transformar jardins em cemitérios. Ela não descobriu, estava sem sentimentos superficiais, apática demais para descobrir. Coração oco, artérias lentas, pulmão murcho feito às orquídeas que arrancou. Feito os lírios murchos que não nutriam mais do solo.
  Mais um sentimento começou a tomar conta ao ver todo estrago que fizera, um sentimento de culpa. “Por que, por que justo eu que amo as flores destrui a suas cores?”
  Apenas uma porção delas não fora destruída, o canteiro de rosas. Então, sem dó de si, deitou-se sobre as rosas que perfuravam sua pele branca polar, escorrendo sangue tão ou até mais vermelho que as próprias rosas. Ela afundava cada vez mais no canteiro, e a mediada que afundava, mais árduo e profundos eram os furos pela pele. Mas tudo aquilo aliviava o que sentia por dentro, não valia mais a pena ver o que tanto amava morto por suas próprias mãos. As rosas faziam o que ela fez com suas similares. Ela fechou os olhos, e de lá não saíra mais.
  As rosa sempre lhe representaram a vida, e fora sobre elas que aquela moça faleceu.
  A rosa é a vida, os espinhos são os dissabores, as pétalas é os que nos encanta e faz continuar, o perfume é o atrativo como o amor. Mas se você cai sobre o canteiro, os espinhos lhe consumirão, e de nada mais adiantaram seu cheiro e pétalas encantadoras.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Um conto conciso

  Pássaros que nascem em gaiolas não sabem viver em liberdade. Mas soube que o passarinho que eu ganhara a um mês atrás já fora um dia livre. Então provavelmente morreria logo se eu o deixasse lá, preso na casinhola. Mas ele é tão gracioso! Toda vez que acordo de manhã ele feliz cantarola para mim. Acho que ele é um pássaro especial, ele é um pássaro que ama gente mesmo quando fora a gente quem matou sua liberdade.
  Eu encosto meu dedo nas grades, ele com sua nuca acaricia meu dedo indicador, dá um passo para trás e pia. Eu morro de paixão pelo bichinho, ele é tão meigo comigo.
  Mas será quanto tempo ele aguentará atrás das grades? Será que o amor recíproco que lhe dou é mais forte do que as ligas de aço que formam sua prisão?
  Fui testar então. Abri a porta para ver o que era mais forte: amor ou liberdade. É, ele alçou voo e se foi, ele precisa demais da liberdade, ele precisa mais que alguém, ele precisa de ninguém. Eu precisava do amor que ele me dava, mas a  lágrima que me caiu gotejou felicidade. O meu amor esta bem.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Livro Lacrado

  Algumas pessoas me conhecem, mas são poucas aquelas que sabem quem de fato sou. Pois sou um livro onde escondo muito bem minha biografia, deixo apenas que os outros leiam algumas paginas. E algumas páginas nem são minhas, são apenas versos inventados para cobrir os capítulos que não permito a olhares alheios. Algumas de minhas mentiras servem para distrair a quem não queira desembaralhar minhas frases e fases mais complicadas. Mas ainda existem as raríssimas exceções onde abro meu livro por inteiro. São pessoas escolhidas a dedo, pessoas que vejo constantemente fugindo do comum para que compreendam o anormal. Sinceramente, eu gosto mesmo do incomum, de pessoas não-convencionais.
  No meu livro não encontrara relatos de festas marcantes, meninos, amigos irrelevantes, idas ao shopping ou qualquer outro clichê. Tenha certeza, você há de ler momentos de medo, amores platônicos, solidão, passeios a um mundo dentro de outro, epfanias. Detalhes a parte, eu estou lacrada a cadeado. Sim, sou um tanto complicada, difícil de abrir e ler; Mas todas essas tantas dificuldades são minhas garantias de ter um leitor que não me trate como mais um livro, onde se solicitou a ler, mas na verdade me deixou empoeirando na prateleira. Poderão achar que sou livro mal escrito; talvez eu até seja, mas minha certeza é de que você não sabe ler entrelinhas, justamente aquelas que só se vêem quem crê que as palavras estão além de sua morfologia.
  Eu sou um livro implícito

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Garças do nascer do sol

  Agora, nesses dias em que não vejo você, eu acordo mais cedo, lá pelas cinco da manhã, antes do sol dar seu aparecer.Eu sei, no inverno custamos a levantar, faz frio, meus lábios se racham porque falta os seus nos meus, os pelos da minha pele se arrepiam, de modo sensível ao frio, contrario daquele arrepiar em que a causa era seu calor. Eu pego meu violão e a escada, ainda com minha camiseta velha de malha e short fino de dormir, boto apenas um casaco, subo no telhado. Eu vejo o que ainda restou das estrelas, o céu ainda esta como seus olhos amendoados. Eu toco alguma besteira, eu sei, ainda não toco tão bem meu violão.
  Tento tirar uns acordezinhos com minha mão gelada, sinto a brisa do norte bater. Paro um pouco então, me deito sobre as telhas vermelhas que pela pouca luz, ainda são azul escuro. Eu vejo a cidade em luz alaranjada, eu moro no lugar mais alto daqui, eu moro naquela casa da montanha, que precisa subir e descer pelo caminho de pedras. Eu sei que você gostava muito daqui, que você gostava de subir aqui comigo e ver as garças voltando paras suas casas arbóreas de copas altas no pôr-do-sol. Um dia você me disse que queria ser uma garça, queria voar para chegar mais rápido aqui. Você reclamava para subir a estradinha daqui, dizia estar sempre sem fôlego. Ai nós parávamos no meio do caminho para você respirar, você se sentava em alguma pedra, eu procurava enquanto isso algum bichinho da terra, você sempre amou muito esses serzinhos. Você se encantava quando encontrava uma joaninha e a colocava em seu braço e você a observava de modo tão perspicaz e delicado girando o braço.
  E quando não tínhamos o que fazer, íamos para a sala assistir TV. E acabávamos nem assistindo, ficávamos jogando conversa fora, rindo. E quando meus pais não estavam, trocávamos caricias, deixando mudo o barulho da tela, apagando suas cores, o que importava estava em nós, no nosso abraço. E eu também descia a montanha para lhe visitar, mas você não gostava de deixar-me entrar em sua casa, seus pais não queriam saber de namorados. E quando você vinha dormir aqui, sempre planejávamos ligando a alguma amiga sua para dizer que você estava lá na casa delas. E em uma noite de verão deitamos aqui onde estou agora com meu violão, para ficar olhando o céu. Quase dormimos aqui, até que acordei com uma danada de uma dor nas costas.
  Eu não me esqueço do dia em que você disse que não queria mais me ver. Eu fui até as sua casa, bati na porta e você pediu para que seus pais me enxotassem. Voltei amargurado para casa e liguei para você, gritei e me arrependo demais por isso. Você aos prantos do outro lado, disse que estava muito mal e feia. Eu insisti em revê-la para tirar essa historia a limpo. Você com muito custo subiu a estrada de pedra com seu casaco listado encapuzada. Eu abri a porta, nem me deu tempo para dizer olá, você em lagrimas me abraçou forte. Logo se pós novamente em minha frente, olhando para baixo enquanto às gotas se precipitavam. Sem nada a dizer apenas tirou o capuz, e pude compreender o que estava acontecendo. Seus cabelos negros se foram, e a maldita voltou a lhe atormentar. Então lhe pedi perdão pela grosseria ao telefone, eu não sabia que o câncer havia voltado a atacar seu pulmão. Além do perdão, pedi para que não se fosse, que ficasse comigo. Disse que seu rosto estava lindo, com seus olhos amendoados que brilhavam a face inteira. Falei que nenhum mal lhe aconteceria, que eu estaria sempre aqui. Você havia superado uma vez essa dor, estava certo que mais uma vez a venceria como a garota delicada e ao mesmo tempo, tão forte que você era. Mas ela se dizia estar muito mal, e queria se distanciar para que eu não sofresse. Respondi-lhe então que meu sofrimento seria não lutar ao lado seu lado.
   E hoje estou aqui, tocando no telhado, esperando o sol sair. É nessa hora que vejo as garças saindo de suas casas aqui perto. Elas cantam junto aos outros pássaros, para avisar que hoje é um novo dia, um outro agora. E todo dia vejo a mesma pequena garça pousar por aqui perto, no telhado sem se espantar quando me aproximo devagar. Gosto de pensar, me enganar e dizer: você mora agora dentro dessa garça.

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