terça-feira, 27 de julho de 2010

A prisão Domiciliar

Chame como quiser. Conto, desabafo, crônica, tanto faz. Em fim, é um texto diferente do que eu costumo postar.E toda vez que eu sentir a necessidade de postar algo do mesmo gênero, vou chama-lo de " A prisão domidciliar". É sobre... Bom, leia você mesmo.

   E essa sensação... Não sei bem como defini-la, não sei. Sabe aqueles dias que parecem um filme em preto e branco e você é o coadjuvante da própria vida? Pois então. Hoje nada condizia com nada, pouco importava por onde eu passasse, quais ruas e avenidas eu botasse meu pés. Não importava o que as pessoas diziam, suas falas embaralhadas em meio a multidão. E não importava o que demonstravam ou faziam . Podiam sorrir ou chorar,com as mãos esconder o choro ou exibir o sorriso. As crianças poderiam brincar, gritar, farrear, as crianças podiam ser crianças. Nada, nada condizia para mim. O choro não me comovia, a piada não me trazia gargalhadas. O bucolismo, o que me encanta, o vício dos meus escritos... Não conseguira encantar minha visão, já que hoje o verde era uma variação de cinza claro. Nem o ipê amarelo, cheio de personalidade entre as arvores iguais me dizia algo. É, hoje é um daqueles dias em que você tem a estranha sensação de não sentir. Você no máximo sente uma espécie de inveja daqueles que sentem. Você esquece de tudo, de todos, daqueles, dos outros. Você esquece de odiar o traidor, de amar aquilo que lhe move o pulso, você esquece chorar por uma mágoa, de alegrar-se por um mero prazer. Tudo porque você simplesmente não sente.
  É uma espécie de ceticismo , como se não acreditasse em nada mais que seus olhos contemplassem, ou na melodia que seus ouvidos escutassem, ou até mesmo nas palavras que sua boca pronuncia.
  A vontade é de entrar no quarto, deitar-se e não dormir. A vontade de deitar-se, olhar para o teto e esperar que algo lhe sacuda, que o faça despertar, que lhe diga: “ Não sei se você sabe, mas você esta viva!” E não, não precisa ser alguém, pois eu disse algo. Algo me faça enxergar, mas enxergar aquilo que ninguém vê. Aquilo que só eu vejo... Falta-me aquela essência, aquela que faz da simplicidade o exuberante. Que faz de uma margarida um perfume, as nuvens um quadro abstrato, que faz de um momento alheio, uma historia. Talvez essa essência chame-se inspiração. Talvez seja a inspiração a base do meu mundo. Talvez até a de todo mundo. Você não precisa ser escritor, não precisa ser poeta, músico ou pintor para compreender. Você não precisa escrever, empoetar, compor ou pintar.
  Inspiração nada mais é que sentir. Quando não a tenho, nada sinto. Não importa a música que tocar, a poesia que eu ler, meu mundo continuara apático. Diria que essa é uma das piores sensações, e ao mesmo tempo não é. Comparo-a melancolia com o não sentir, às vezes é pior. Não sentir parece um ópio da tristeza, que para não se por para baixo, fica em uma instabilidade terrível, onde nada diz a que veio. É um vazio.
  O que mais me corrói, é que nesses dias eu me perco. Eu não sei nem mais do que não gosto. Nesses dias tento desesperadamente me encontrar, tento de tudo, relembro o passado. Só encontro como resposta que não tenho um futuro. E não adianta olhar no espelho, o reflexo é invertido, portanto nunca será a imagem refletida, um fato. Você não sente mais pertencer a própria pele, você é um estranho dentro dela. E os pensamentos que rondam a sua mente quase vazia, você se pergunta onde foram parar. Não estão mais ali, se perderam.
  E o que mais incomoda: não tenho mais o que escrever. Estou vazia, as palavras escondidas. Se foram com a inspiração, com as sensações. E o que mais temo, é quando amanhecer nada disso passar, nenhuma das sensações voltarem. Mas se uma lagrima cair do meu rosto, terei uma alegria. Estou sentindo de novo. A vida ,ainda que devagar, corre pelas minha veias.

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